segunda-feira, 5 de março de 2012

Você - Parte 2


Carregava-me, me levava pelas mãos, tinha algo a me mostrar, estava excitada, mas ao mesmo tempo tinha medo, medo de que eu não gostasse, de que eu não fosse admirar o que tinha para me mostrar.

Quando lá chegamos estava ela rubra, sua face estava totalmente corada, aos poucos tomou coragem e me mostrou o que tinha a mostrar.

Era seu coração. Era lindo, estonteante... Fiquei paralisado, mas paralisado de felicidade, logo comecei a sorrir.

Ela olhou no fundo de meus olhos e disse:
­– Esses são meus sentimentos, tudo que sinto por você aí está... Mesmo que eu seja insegura, mesmo que tenha medo... Deixo que você contemple-os.

Respondi-lhe:
– Aprecio cada um deles, respeito-os também, não tenha medo nem receios, também tenho lá os meus, mas tente não se preocupar tanto ou vai acabar por reter tudo que possa vir de bom, não precisa pular de cabeça no precipício, apenas seja você sempre, assim como é, e isso é suficiente.

Um sorriso preencheu sua face ao mesmo tempo que preencheu o vazio dentro de mim...

A full of meaning feeling.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Você - Parte I


Sentei naquele banco mais uma vez, era um dia quente, ensolarado e lá estava ela sorridente como sempre.

Mesmo cansado, mesmo sonolento devido ao calor, conseguia com seu sorriso animar-me.

Era reconfortante estar ali olhando para ela, admirando sua beleza e lembrando-me de como aquele sorriso era intenso.

Era tudo magnífico... O modo como seu cabelo se mexia ao vento... O jeito de olhar, de sorrir, de abraçar...

Sua voz entrava em minha mente, encantava-me, hipnotizando-me. Como me contava suas histórias!

Em alguns momentos sinto não ser digno de ouvir suas histórias, mas aproveito cada uma delas... Aproveito o momento para apreciar sua voz, suas expressões.

Como me animava e apaziguava ao mesmo tempo!

Era ela, é ela...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sonho real.


Quando deixa de apenas ser etéreo e passa a ser real.
Quando a voz deixa de vagar ao vento e toma uma direção.
Nada, mas nada conseguirá atrair-me novamente para a escuridão.
A voz sempre em seu caminho.
O real nunca voltando a ser fantasia, sem deixar de sonhar.
Sem me esquecer do que me faz bem.
Não me esquecer jamais, desse simples olhar, que me faz sorrir.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Limbo.


E as palavras voltam do limbo do vocabulário, limbo silábico, limbo das peças de xadrez tomadas por jogadas mal feitas.
Enquanto o rei fugia de seus possíveis algozes, as palavras voltavam do limbo.
Deixavam de ser monocromáticas e ganhavam cores.
Enquanto a rainha fazia seus movimentos, as palavras que ainda voltavam do limbo, tímidas, nada diziam.
Mal usadas, quem sabe, ainda enferrujadas, tentavam se agrupar, sem muito sucesso.
E eis que movimentos, reflexos e olhares foram mais rápidos, e mais eficazes.
Talvez, ao voltarem, tenham aprendido a sua hora, o seu lugar e seu valor.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Preço das palavras.


E o preço da liberdade é a falta de palavras para se expressar... Ou talvez seja outro o motivo para a falta de palavras?

Não importa... É o que diriam, é o que eu diria. Mas não mais, não mais digo que não importa, como posso não dar importância a falta de palavras? Tais palavras que me ampararam em momentos insuportáveis.

Palavras que não fazem muito sentido, já que não sou mestre delas. Mas ao mesmo tempo fazem sentido, pena que unicamente para mim. Não, não me enganem, minhas palavras tem um sentido para mim, um sentido que ninguém é e nem será capaz de entender.

Do mesmo modo que não sou capaz de compreender todas as palavras que me dizem, que leio. Nunca sentirei o mesmo que quem escreveu, e mente quem diz que sente.

Perdi-me mais uma vez no sentido que queria dar as palavras...